Rede pela Soberania Digital

Propostas para Soberania Digital

Dez compromissos para as eleições de 2026

Soberania digital popular é poder coletivo sobre a tecnologia.

O digital já organiza o trabalho, a educação, a comunicação, os serviços públicos e a própria democracia. Mas não basta saber usar a tecnologia: é fundamental buscar a autonomia sobre todas as camadas da infraestrutura digital — da energia e dos equipamentos às plataformas e à inteligência artificial.

Isso exige superar a dependência externa e colocar o desenvolvimento tecnológico a serviço das pessoas e do bem comum, integrando uma perspectiva de interesse público, justiça social, emancipação humana e cuidado com a natureza.

E a sociedade civil não aceita mais ser consultada apenas de forma protocolar: exige compromissos verificáveis, com instrumentos, orçamento, prazos e indicadores.

Cada ponto apresenta o compromisso, o que o tornará efetivo e como devem ser entregues para que a sociedade possa acompanhar, cobrar e verificar.

Os dez compromissos

Uma candidatura que assina um compromisso assume também o que o torna efetivo e o indicador que permite à sociedade acompanhar, cobrar e verificar.

01

Tecnologias a serviço da vida, do cuidado e da democracia

Compromisso

Orientar toda política digital pela garantia de direitos humanos, redução de desigualdades, fim das violências — inclusive as violências digitais racializadas e generificadas — e proteção da natureza. Rejeitar o tecnossolucionismo, a vigilância permanente e a discriminação algorítmica.

Efetivação

Instituir, no primeiro ano de mandato, avaliação de impacto em direitos humanos como requisito prévio para toda contratação pública de sistemas algorítmicos, com metodologia que inclua obrigatoriamente vieses raciais e de gênero. Criar moratória sobre reconhecimento facial na segurança pública até que existam salvaguardas legais, dado o padrão documentado de erros que atingem desproporcionalmente pessoas negras.

Indicador

Número de sistemas auditados e publicação anual dos relatórios de impacto.

02

Territórios e comunidades como sujeitos tecnológicos

Compromisso

Construir políticas com os territórios, e não apenas para eles, reconhecendo povos, comunidades e movimentos sociais como produtores de tecnologia e conhecimento.

Efetivação

Destinar, em lei orçamentária, percentual mínimo definido a projetos geridos diretamente por organizações territoriais, com consentimento prévio e titularidade compartilhada dos resultados. Criar conselhos territoriais com poder deliberativo sobre projetos de tecnologia que afetem seus territórios.

Indicador

Volume de recursos executados diretamente por organizações comunitárias.

03

Conectividade significativa como direito

Compromisso

Universalizar acesso à internet com qualidade, continuidade, preço acessível, dispositivos adequados e formação, priorizando periferias urbanas, áreas rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Efetivação

Adotar meta pública de conectividade significativa com recorte territorial, racial e de gênero, medida por monitoramento oficial anual. Redirecionar recursos de fundos setoriais de telecomunicações para redes comunitárias e provedores públicos, com prestação de contas semestral.

Indicador

Redução da desigualdade de acesso entre territórios, publicada com dados desagregados.

04

Infraestruturas públicas, comunitárias e federadas

Compromisso

Investir em infraestruturas digitais, nuvens públicas e centros de dados e sistemas de comunicação com capacidade computacional sob governança democrática, reduzindo dependência de corporações e jurisdições estrangeiras.

Efetivação

Estabelecer plano de migração progressiva de dados e serviços críticos para infraestrutura pública ou nacional, com cronograma e metas anuais publicadas. Vedar contratos de nuvem que impeçam portabilidade ou auditoria. Fortalecer empresas públicas de tecnologia, universidades e redes comunitárias como operadoras dessa infraestrutura.

Indicador

Percentual de dados públicos críticos hospedados sob jurisdição e controle nacionais.

05

Dinheiro público, código público

Compromisso

Toda tecnologia desenvolvida com recursos públicos deve adotar licenças livres, interoperabilidade, padrões abertos, documentação acessível e mecanismos de auditoria.

Efetivação

Editar norma vinculante de compras públicas que estabeleça software livre e padrões abertos como regra, exigindo justificativa pública, antecipada e fundamentada para exceções. Incluir cláusulas contratuais contra aprisionamento tecnológico e garantia do direito ao conserto. Retomar o Portal do Software Público e repositórios abertos de bens públicos digitais financiados pelo Estado.

Indicador

Proporção de novos contratos com licenças livres, padrões abertos e código publicado.

06

Soberania e governança democrática dos dados

Compromisso

Proteger privacidade e dados pessoais, com proteção especial a dados biométricos e a conhecimentos territoriais, culturais e tradicionais. O que é comum não pode ser objeto de monetização e lucro privado.

Efetivação

Fortalecer a autoridade de proteção de dados com orçamento próprio, autonomia e representação da sociedade civil em seu conselho. Proibir por lei o tratamento de dados biométricos para vigilância massiva. Criar regime jurídico específico para dados e conhecimentos de povos e comunidades tradicionais, com consentimento coletivo, livre, prévio e informado.

Indicador

Sanções aplicadas, tempo de resposta a denúncias e participação social nas decisões regulatórias.

07

Plataformas, algoritmos e IA sob controle democrático

Compromisso

Enfrentar a concentração econômica e informacional das grandes plataformas, com transparência, auditoria, devido processo e responsabilização, protegendo crianças, adolescentes, mulheres, população LGBTI+, trabalhadores e grupos vulnerabilizados. Financiar comunicação pública e comunitária, fomentando redes federadas, livres e solidárias.

Efetivação

Aprovar regulação de plataformas e marco legal da IA com auditoria externa e independente de sistemas de alto risco; participação obrigatória dos grupos afetados nas avaliações de impacto; órgão regulador com representação diversa da sociedade civil; sanções proporcionais ao faturamento global.

Indicador

Sistemas de alto risco auditados e casos de discriminação algorítmica sancionados.

08

Educação, ciência e formação crítica

Compromisso

Promover educação digital, midiática e algorítmica crítica em escolas, universidades e educação popular, com autonomia docente. Garantir infraestrutura própria para instituições públicas, fomentando iniciativas que desenvolvem, mantêm e auditam tecnologias de interesse público.

Efetivação

Incluir letramento digital, com educação midiática e algorítmica, no currículo do ensino fundamental e na formação continuada de docentes. Vedar a substituição de infraestrutura própria das universidades públicas por plataformas "gratuitas" que capturam dados da comunidade acadêmica. Criar programa de bolsas para formação tecnológica com cotas raciais e de gênero, priorizando mulheres negras em áreas estratégicas.

Indicador

Crianças e docentes formados, universidades com infraestrutura digital própria e perfil demográfico dos bolsistas.

09

Trabalho digno, saúde mental e economia solidária

Compromisso

Assegurar direitos trabalhistas, proteção social, liberdade sindical e transparência algorítmica a toda a classe trabalhadora, em especial no trabalho mediado por plataformas. Fomentar o cooperativismo e economia solidária em toda a cadeia tecnológica.

Efetivação

Banir por lei a hipervigilância e as decisões demissionárias ou punitivas totalmente automatizadas, com supervisão humana obrigatória. Incluir o controle algorítmico e o esgotamento no gerenciamento de riscos ocupacionais de saúde mental. Exigir negociação coletiva prévia para novas tecnologias de gestão. Destinar linhas de crédito e compras públicas a cooperativas de plataforma e produção tecnológica local.

Indicador

Legislação em vigor, acordos e convenções coletivas com cláusulas algorítmicas e recursos executados na economia solidária digital.

10

Política de Estado para a soberania digital popular

Compromisso

Elaborar planos nacionais, estaduais e regionais de soberania digital com participação social, metas, orçamento, cronograma e indicadores públicos. Criar estrutura participativa de governança dos assuntos digitais do país, vinculada diretamente à presidência da República.

Efetivação

Enviar e aprovar no Congresso, no primeiro ano, o Plano Nacional para Soberania Digital construído em conferências com paridade de representação da sociedade civil, incluindo instituições de ensino, organizações de mulheres negras, povos indígenas, quilombolas e trabalhadores de plataforma. Instituir Conselho Nacional para Soberania Digital com poder de fiscalização de contratos e despesas, para acompanhamento das dependências tecnológicas do Estado, com relatório público anual.

Indicador

Realização das conferências, execução orçamentária do plano e publicação dos relatórios de dependência tecnológica.

Quem já aderiu

Ainda não há candidaturas publicadas. As adesões passam por validação da equipe antes de aparecer aqui — seja a primeira a aderir.

Mecanismos de

Controle social

A adesão a este Decálogo implica aceitar e se comprometer em contribuir com o cumprimento dos três compromissos transversais de responsabilização. Quem quer fiscalizar pode entrar.

Mobilize e registre seu compromisso ou apoio

Candidaturas, pessoas e organizações podem participar. Acesse a página, preencha o formulário e ajude a transformar estes compromissos em ação pública.

www.soberania.digital/decalogo

A adesão é pública e verificável. Preencha o formulário abaixo — ou escreva diretamente para decalogo@soberania.digital — e a equipe da campanha confirmará sua adesão antes de publicá-la.